Na manhã de dia 1 de Maio, as autoridades iranianas executaram Delara Darabi, de 23 anos, na Prisão Central de Rasht. A Amnistia Internacional revelou que Delara foi a segunda pessoa a ser executada este ano após ter sido condenada por um crime que cometeu quando tinha menos de 18 anos.

“A Amnistia Internacional indigna-se com a execução de Delara Darabi, nomeadamente com o facto de não ter sido comunicada ao advogado de Delara, sendo que legalmente este deveria ter sido informado com 48 horas de antecedência, o que aparenta ser uma jogada de bastidores por parte das autoridades, de forma a evitar protestos tanto a nível nacional, como internacional, que poderiam ter salvo a vida de Delara Darabi”, disse Hassiba Hadj Sahraoui, a Directora Adjunta do Programa do Médio Oriente e Norte de África.

Delara Darabi foi executada, apesar da decisão do Presidente do Poder Judicial de 19 de Abril de adiar a sua execução por dois meses. “Isto significa que até as decisões do Presidente do Poder Judicial não têm qualquer peso e são desrespeitadas nas províncias”, disse Hassiba Hadj Sahraoui.

Delara Darabi foi condenada pelo crime de homicídio de uma familiar, em 2003, quando tinha 17 anos. Inicialmente confessou o crime, na esperança de salvar o seu namorado do enforcamento, tendo-se posteriormente retraído da sua confissão. Esteve presa na Prisão de Rasht, no Norte do Irão, desde a sua detenção em 2003, tempo durante o qual desenvolveu um grande talento enquanto pintora.

A Amnistia Internacional considera que Delara não teve um julgamento justo, visto que o tribunal se recusou a aceitar novas provas que, de acordo com o advogado, teriam provado que ela não poderia ter cometido o homicídio.

A Amnistia Internacional tem acompanhado o caso que tem sido tema das suas campanhas desde o seu surgimento, em 2006, apelando às autoridades iranianas que comutassem a sua sentença de morte e que levassem a cabo um novo julgamento cujos procedimentos estivessem de acordo com os parâmetros internacionais.

Actualmente estão pelo menos 137 jovens no corredor da morte no Irão. A execução de Delara Darabi perfaz a 140ª execução no Irão este ano. Foi a segunda mulher executada. O Irão executou pelo menos 42 delinquentes juvenis desde 1990, oito dos quais em 2008 e um no dia 21 de Janeiro de 2009, desrespeitando o direito internacional, que inequivocamente proíbe a execução de pessoas que tenham cometido crimes com menos de 18 anos de idade.

O dia da execução de Delara Darabi

Segundo o advogado, no dia da execução, a mãe de Delara visitou a filha na prisão. Delara disse-lhe “Se eu for libertada, quero continuar a estudar. Gostava de ser livre. Um dos juízes prometeu que eu iria ser perdoada.” Delara acrescentou ainda: “Mãe, estou inocente.

Às 7h00 da manhã do dia 1 de Maio, Delara Darabi ligou à sua família para lhes dizer que estava prestes a ser executada e a pedir-lhes que a salvassem. Durante a conversa, alguém lhe tirou o telefone e disse aos seus pais que a sua filha seria morta e que não havia nada que pudessem fazer quanto a isso. Os pais de Delara apressaram-se para a prisão e pediram para a ver mas foi-lhes negado um último encontro com a sua filha. Enquanto estavam à porta da prisão, a sua filha foi executada. Os pais de Delara informaram os advogados da sua execução.

O funeral do Delara Darabi decorreu no dia 2 de Maio num cemitério de Rasht chamado “O Jardim do Céu”. Centenas de pessoas compareceram no funeral. O seu pai não pôde estar presente na cerimónia porque se encontrava no hospital.

Para mais informações sobre execuções de delinquentes juvenis no Irão, ver “Iran: The last executioner of children”.

Flores para Delara Darabi

Proteste contra a execução de Delara Darabi e ajude-nos a prevenir a execução de outros jovens no Irão. Envie a imagem em anexo para o Embaixador do Irão em Portugal.

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